A criatividade, a identidade local e a consciência ambiental ganharam as passarelas com a primeira edição do Senac Fashion Week. Lançado no dia 15 de maio, o evento integrou a programação da Semana S, realizada na Praça dos Mercados, no centro de Aracaju, e apresentou ao público um espetáculo de moda inteiramente focado na sustentabilidade e no design crítico.
O desfile posicionou o Senac Sergipe como um polo incentivador de inovação e responsabilidade ecológica no Estado. De acordo com Karinne Sá, coordenadora do desfile e dos cursos de moda da instituição, o evento reacendeu a autenticidade sergipana. “Todas as coleções que foram vistas na passarela foram criadas por alunos dos cursos dos municípios de Tobias Barreto e Itabaianinha, dois importantes polos do setor confeccionista do estado. O desfile movimentou e reacendeu a autenticidade sergipana voltada para a área da criação e no enredo, críticas, reaproveitamentos e sustentabilidade raiz”, explicou.
Além de apresentar as raízes culturais de Sergipe, o evento demonstrou o alinhamento da moda contemporânea com as demandas ambientais. Na passarela, ganharam destaque técnicas de upcycling, que consiste no reaproveitamento criativo de resíduos têxteis, e reflexões profundas sobre o consumo consciente. Entre os destaques conceituais estava a coleção “Tintas do Futuro”, inspirada na cultura e na arquitetura oriental. A docente de moda Jéssica Alves pontuou que “a coleção trouxe colocações orgânicas com materiais orgânicos naturais, sem poluição ao meio ambiente, fortalecendo a sustentabilidade”.

Outro grande momento do desfile foi a coleção “Essência Híbrida”, que representou um verdadeiro desafio para os estudantes. A aluna Rafaela Santos explicou como o grupo uniu a ancestralidade à tecnologia: “Reutilizamos o jeans de refugo das indústrias da nossa região, aplicando uma técnica também já praticada e ancestral, que é o Richelieu, trazendo uma crítica para o uso da inteligência artificial na moda. Não existe a moda sem o pensamento e a criatividade do ser humano. Usando apenas a inteligência artificial, não dá para fazer a moda somente usando inteligência, precisamos também do pensamento humano”.
Essa urgência em mitigar o impacto socioambiental da indústria têxtil também foi o combustível para os estudantes de Itabaianinha. O aluno Raimundo Neto destacou a oportunidade de transformar a realidade local através do design consciente: “Nós identificamos uma oportunidade para a sustentabilidade. Somos da capital sergipana da moda e vivemos uma poluição invisibilizada. Através dos resíduos e aviamentos têxteis tivemos a criatividade de mostrar o potencial que existe nos retalhos. No lugar de agredir o meio ambiente, vamos colaborar com a criatividade e inovação para o mundo. O mundo pede que a gente cuide dele. E a moda tem um potencial gigante para promover esse cuidado”.

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