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Encontro do Senac debate sobre a cadeia produtiva e a identidade gastronômica de Sergipe

Evento contou com duas mesas redondas, exposição fotográfica e produtos feitos com mangaba
Encontro do Senac debate sobre a cadeia produtiva e a identidade gastronômica de Sergipe

Valorizar e apoiar o consumo de produtos da cadeia produtiva do Estado foi um dos objetivos do 1º Encontro de Gastronomia – Saberes e Sabores que Identificam o Sergipano, promovido pelo Senac Sergipe na quinta-feira, 15. O evento, ocorrido no auditório José Hilton Ribeiro, no Senac Aracaju, foi organizado pela a técnica em gastronomia e representante de Sergipe no Observatório do Patrimônio Gastronômico (Opanes), Marta Moreira Aguiar e contou com duas mesas redondas, exposição fotográfica e de produtos elaborados pelas catadoras de mangaba de Sergipe.

O encontro foi aberto pelo diretor Regional do Senac Sergipe, Marcos Sales, que cumprimentou todos os presentes.

“Quero cumprimentar a todos que estão aqui para acompanhar esses debates sobre os saberes e sabores, neste evento organizado pela técnica em gastronomia, Marta Moreira Aguiar, por meio do Departamento de Educação Profissional. Muito importante trazer para serem discutidas as riquezas gastronômicas sergipanas, a exemplo da mangaba e o aratu, que alimentam muitas famílias que vivem da cata da mangaba e da pesca do crustáceo. Espero que seja proveitoso para todos”.

“É muito importante a presença de vocês aqui neste encontro para debater sobre a gastronomia sergipana e evidenciar os sabores que existem em Sergipe. Nós ficamos muito gratos pela presença de todos aqui nessa tarde”, destacou o diretor da Divisão de Educação Profissional (DEP), Adalberto de Souto Trindade.

Abrindo o debate, a jornalista e poeta Paloma Naziazeno falou sobre as descobertas que fez, durante a elaboração do livro “Panela Sergipana: sabores da terra de araras e cajus”.

cadeia produtiva

“Para elaborar o livro, fui pesquisar quais eram as comidas que faziam parte do Estado de Sergipe. Tive que limitar, adotar uma metodologia para selecionar as comidas e os municípios a serem pesquisados. A diversidade de saberes e sabores que encontrei nos 15 municípios pesquisados foi fantástica, eu não conhecia. E são formas únicas de preparar cada uma delas”, relatou a escritora, cujo livro conta com receitas da chef Seichele Barboza e fotos de Melissa Warwick.

Antes de iniciar a sua fala, o professor da UFS, Denio Azevedo destacou o trabalho de mestrado de uma orientanda dele, Luara Lázaro, cujas fotos estavam expostas no encontro.

“Para produzir a tese sobre saberes e fazeres, ela foi 44 vezes em São Cristóvão, onde visitou a sede e nove povoados, se aprofundando no preparo de diversos alimentos, que fazer parte da nossa identidade cultural”, destacou, enfatizando a realização que teve ao escrever o livro ‘Sergipanidades’.

“Ainda durante o período pandêmico, tive a felicidade de reunir em neste livro paradidático, os sentidos de pertencimento que nós temos, que são identidades culturais. Ele surgiu a partir de afirmações de que o sergipano não se conhece e não tem identidade, e daí veio na minha cabeça a necessidade de escrever algo que chegasse até as crianças, e hoje o livro é adotado por 25 escolas de Aracaju, já foi comprado pela educação do município e estamos em negociação com a Secretaria de Estado da Educação, para que ele chegue a todas as escolas públicas de Sergipe”.

samuelCompletando a primeira mesa redonda do encontro, o chef Samuel Davi, do Restaurante Escola Senac Bistrô, fez um passeio pela diversidade alimentar da culinária sergipana.

“Sofremos a influência portuguesa em muitas das nossas delícias, a exemplo dos doces de compota e da queijadinha, que foi adaptada pelos escravos a passou a ser feita com coco, ao invés de queijo, como na receita portuguesa”.

AscamaiJá a segunda mesa redonda destacou a cadeia produtiva da mangaba, cujas catadoras são também marisqueiras, alternando o trabalho nas duas funções.

“O nosso movimento de organização começou em 2007 e hoje conseguimos produzir diversos produtos, a partir da mangaba. Com essa organização, conseguimos vencer alguns editais e criar unidades de beneficiamento para as associações de catadoras de mangaba. O nosso trabalho organizado rendeu bons frutos, pois fomos convidadas pela Petrobras para envolver mulheres de outros municípios e fundamos a Rede Solidária de Mulheres, composta por oito associações”, relatou Alícia Salvador, presidente da Associação das Catadoras de Mangaba de Indiaroba (Ascamai), cuja sede fica no povoado Pontal.

cadeia produtivaEm Indiaroba também nasceu um projeto social, implantado pela administração municipal.

“Há 10 meses implantamos o Banco Popular de Indiaroba, BPI, mais conhecido por Banco Aratu, onde a nossa moeda é o crustáceo. As marisqueiras trocam cada aratu por um real, creditado no cartão que só pode ser utilizado nos estabelecimentos comerciais do nosso município. Já temos 2.100 abertas e atendemos 1.028 famílias carentes, que recebem 130 aratus por mês”, informou o prefeito Adinaldo Santos, que foi escolhido prefeito empreendedor pelo Sebrae em 2022 e prefeito do futuro em 2022.

Ao final do encontro, a organizadora Marta Moreira Aguiar agradeceu a participação de todos, destacando os assuntos abordados.

“Estamos mostrando que Sergipe tem uma cultura gastronômica rica em saberes e sabores. E juntos, em debates como este, estamos revelando a identidade gastronômica do nosso estado, que possui riquezas culinárias, a partir dos seus preparos, que aguçam os sentidos desde o auditivo, visual, olfativo, antes de sentirmos o sabor de cada iguaria”.

sergipanidadeSegundo Marta Moreira Aguiar, o encontro atendeu três pontos previstos no Plano Diretor de Gastronomia (PDG), documento elaborado anualmente pelos Senacs de todo o Nordeste. O primeiro foi sobre o patrimônio alimentar da gastronomia sergipana; o segundo sobre o uso da tecnologia na gastronomia, com a criação do Cartão Aratu; e por último a linha de pesquisa do Opanes 2023, que é sobre frutas.

 

 

O Sistema S do Comércio é composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e Instituto Fecomércio em Sergipe. Presidida por Marcos Andrade, a entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.

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