Publicado em : 15/12/2017 - Por : Helmo Goes

Ressocialização: Senac leva cursos para dependentes químicos em tratamento  


A terapeuta Shirlênia de Carvalho

Os 18 pacientes atendidos pelo Centro Terapêutico Recomeçar, dedicado à reabilitação e ressocialização de dependentes químicos, ganharam um importante reforço em seus tratamentos. Graças a um acordo firmado entre o presidente do Sistema Fecomércio, Laércio Oliveira, e o diretor do Recomeçar, Jorge Gomide, o Senac/SE deu início à oferta de cursos de curta duração para os residentes do centro terapêutico localizado no bairro Atalaia, em Aracaju.

O primeiro curso oferecido, entre os dias 11 e 14 de dezembro, foi o de Bombons e Trufas, ministrado pelo instrutor Amintas Diniz. Desta oficina participaram 12 residentes, onde puderam aprender a produzir variedades dos doces utilizando as técnicas, instrumentos e os produtos necessários.

Para Shirlênia de Carvalho, terapeuta do Centro, ensinar uma atividade nova aos pacientes através de cursos profissionalizantes é um auxílio para o tratamento e um importante passo para a ressocialização. “Acho que essa parceria com o Senac só veio a acrescentar. O comprometimento e a dedicação dos pacientes tem sido algo muito marcante nesse processo. Acredito que os cursos podem contribuir para a ressocialização deles e que podem ser uma esperança de algo mais, inclusive de retorno financeiro para quando saírem daqui”, avalia Shirlênia.

Recomeço

E. V. é empresário do ramo alimentício e há anos trava uma batalha contra a dependência química. Internado há 70 dias no Centro Terapêutico Recomeçar, E. V. já passou por internações anteriores em Sergipe e em outros estados. “Aqui a atividade principal é a conscientização sobre a adicção, a doença da dependência química. Nós temos terapias individuais e em grupo, mas existe também a laborterapia, em que aprendemos a cuidar do nosso quarto, a organizar as nossas coisas, a ocupar nosso tempo e nossa mente com os afazeres diários…”, explicou o paciente.

Segundo ele, fazer um curso de qualificação profissional durante o tratamento é uma novidade nunca vivenciada nas experiências anteriores. “Como sou dono de restaurante, eu sempre tive problema com fornecedores. Encomendava salgados e às vezes vinham de um jeito, às vezes de outro, e a gente não conseguia padronizar. Então eu já havia decidido fazer um curso de salgadeiro, inclusive já tinha pesquisado no site do Senac. Quando chegou a oportunidade do curso aqui no Centro Terapêutico, fiquei muito empolgado e resolvi fazer. Ao sair daqui, poderei ensinar o preparo aos meus funcionários, ou eu mesmo posso fazer os bombons e trufas que irei vender no meu estabelecimento. Essa é uma situação totalmente nova para mim”, declarou.

Ainda para E. V., os cursos que o Senac levará para o Centro podem ajudar os pacientes a descobrirem habilidades e até um novo caminho profissional “Aqui dentro existem profissionais de diversas áreas: médico, empresários, mas também pessoas que nunca tiveram uma atividade profissional. Então essa é uma oportunidade para essas pessoas buscarem os primeiros passos de sua independência financeira e, de fato, recomeçarem uma nova vida”, acredita o residente.

Mais cursos

Segundo Hipácia Nogueira, gerente do Núcleo de Promoção Social e Relações com Egressos do Senac, outros cursos serão levados ao Centro Terapêutico. “A gente tem visto a necessidade dessas pessoas e a forma como elas abraçam essa oportunidade para que, saindo dessa situação, elas possam ter seu trabalho, montar seus negócios. O Senac se sente muito feliz em participar da reabilitação e ressocialização dessas pessoas, pois isso também faz parte da nossa missão. A gente vê que as aulas funcionam como uma terapia, e que eles se sentem motivados, valorizados e também descobrem talentos. Por isso traremos, a partir de fevereiro, mais quatro ou cinco oficinas para eles, como a de pães artesanais e culinária trivial”, antecipa a gerente.

Centro Terapêutico

O Centro Terapêutico Recomeçar iniciou as atividades há cerca de quatro anos, mas, recentemente, mudou de endereço, passando a ocupar duas unidades em Aracaju: uma para o público masculino, localizada no bairro Atalaia, e outra feminina, situada na Aruana.

Conta com uma esquipe multidisciplinar, composta por psiquiatra, psicólogo, terapeuta, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico, todos capacitados e especializados em tratamentos em dependência química, além de monitores e coordenadores técnicos, também especializados, dependentes químicos em recuperação.

A entidade desenvolve, ainda, um programa especial para as famílias, pois acredita que elas sejam importantes no processo de recuperação dos dependentes.