Publicado em : 20/03/2018 - Por : Helmo Goes

Palestra do Britânico Tom Fleming lota auditório do Senac


“Reflexões críticas sobre economia criativa e cultural – Perspectivas globais”. Com esse tema, a palestra do britânico Tom Fleming lotou o auditório do Senac Sergipe na tarde da última segunda-feira, 19 de março. Composta por representantes de diversos setores da sociedade, a plateia reuniu acadêmicos, professores universitários e gestores públicos, que acompanharam a apresentação de um dos maiores especialistas internacionais no assunto, fundador da empresa Consultoria Criativa Tom Fleming, uma grande agência de pesquisa em economia criativa e consultoria cultural. A palestra teve o apoio do tradutor Saulo Coelho.

Segundo o autor inglês John Howkins no livro “The Creative Economy”, publicado em 2001, economia criativa são atividades nas quais a criatividade e o capital intelectual são a matéria-prima para a criação, produção e distribuição de bens e serviços. Para ficar mais fácil entender, basta pensar em áreas como Moda, Arte, Mídia Digital, Publicidade, Jornalismo, Fotografia e Arquitetura. Sem a capacidade criativa dos profissionais, essas áreas praticamente não existiriam.

A Economia Criativa é bastante transformadora em termos de geração de lucros, criação de empregos e exportação de valores. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o crescimento anual do mercado criativo deve girar entre 10% e 20% nos próximos anos em todo o mundo.

Segundo Tom Fleming, Aracaju, Sergipe e Brasil têm potencial para aplicar a economia criativa e transformar sua realidade econômica. “Eu acho que há muito potencial. Vocês têm uma grande população e grandes cidades. Vocês precisam de uma base econômica mais diversa, mais adaptável a mudanças econômicas. Vocês precisam ser capazes de gerar conteúdo, porque assim poderão expandir isso e vender. Eu acho que uma cidade como Aracaju precisa de uma economia mais miscigenada, e é necessário que mais pessoas produzam produtos e serviços de maior valor, então aí a indústria criativa entrará na jogada”, disse.

Ainda de acordo com o convidado, a economia criativa também pode ser desenvolvida através de ações da comunidade, como o turismo e comércio. “São geradas consequências externas, ou resultados positivos para outros setores. Então se você tem uma produção de economia criativa forte produzindo coisas na arte, moda, design, cinema, música, isso vai melhorar sua oferta de turismo e, assim, vocês terão um melhor retorno no turismo. Vocês precisam crescer seus festivais, coisas assim. Então isso terá um efeito cascata para o resto da economia. E é realmente importante para sua identidade, desenvolver a identidade da cidade e da região como um lugar de vivência cultural dinâmica e contemporânea”, declarou.

Tom Fleming finalizou dizendo que qualquer povo, pessoa ou cidade pode desenvolver a economia criativa. “Qualquer lugar pode, mas alguns terão mais sucesso que outros. Em cidades muito grandes, por exemplo, eu vivo em Londres, ela pode compor mais de 10% da economia, enquanto em outras cidades menores, apenas 1%. Mas ela existirá em todo lugar, qualquer lugar você terá artistas, designers, músicos, estilistas, então haverá uma economia positiva, mesmo que vocês não tentem, mas se tentarem, poderão fazer algo significativo com ela”, incentivou o palestrante.

Impressões do público

“É gratificante ouvirmos de um consultor inglês, com experiência mundo afora, que temos, sim, o potencial para organizar nossa economia criativa, transformar nossa cultura, nossas tradições, nosso artesanato em produtos que tenham dimensão econômica presente e possam ser distribuídos mundo afora, além de potencializar o fluxo turístico. Estou muito feliz em saber que estamos sintonizados com esse pensamento da valorização da economia criativa, e um consultor como Tom Fleming reconhece que temos essa potencialidade”, disse Jorge Santana, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Turismo.

“Essa foi uma oportunidade rara. Tenho muita gratidão por Tom Fleming, pelas palavras, paciência e pela forma bem didática com que ele trouxe esse tema tão desafiador da economia criativa, da produção cultural como geração de valor. Essa é uma busca que temos aqui no Senac, e o desejo de consolidar a inovação como algo fundamental na construção da própria educação profissional. As ferramentas estão aí, a gente só precisa aliar tudo isso à criatividade, que já é uma característica dos sergipanos. E nós, como Senac, queremos ser um ambiente que pode ancorar essas oportunidades para que os alunos e sergipanos, de um modo geral, possam desenvolver suas ideias. A gente vai criar esse ambiente cada vez mais propício para uma grande discussão em inovação”, declarou Paulo do Eirado, diretor do Senac Sergipe.

“Importante trazer um especialista do Reino Unido, que foi o berço do entendimento da economia criativa, para começar a vermos que caminhos podemos tomar. Ele trouxe experiências realizadas em vários lugares do mundo para mostrar que temos as expertises, as potencialidades, e que maneiras podemos encontrar o caminho para fazer da economia criativa um diferencial para Sergipe, para o Brasil, e melhorar o nosso dia a dia”, avaliou Maurício Gonçalves, superintendente da Fecomércio Sergipe.